Eu tive tanto tempo, mas tanto tempo pra falar de romance.
Eu era aquele tipo de cara que não entende as coisas, só vai nadando de acordo com a corrente com medo de se afogar ou engolir um pouco de água.
Fui um aluno mediano, filho do meio, amado pelos pais que nunca estavam em casa e criados por babás. Nada de excepcional, né?
Mas aí você veio como um trem.
Não um "trem" no meu modo mineirês de dizer, mas veio nos trilhos, aparentemente correta, elegante, mas incontrolável por quem a via de fora. Era assim: você ia à toda a velocidade e azar de quem quisesse embarcar ou entrasse em seu caminho, porque você não saberia parar a tempo. Quantos corações foram dilacerados pela sua pressa e falta de freios eficientes...
A máquina potente e cheia de forças que você é, não sai da linha, não faz muito alarde quando chega - o que é um defeito - e deixa todos que nunca a viram pasmos. E quem viu, admira sua magnitude ao passar.
E eu, feito bobo, caí na cilada de te esperar em uma parada e embarcar nessa, com sua permissão.
Não quero ficar montando um curriculum pouco atrativo e tentar te ganhar na base da bajulação, mas queria fazer uma diferença, ou até mesmo diminuir essa velocidade e chegarmos a um ritmo meio termo, confortável para os dois e diminuindo o risco de machucar as pessoas pelo caminho.
Eu tão pequeno na minha insignificância e você fazendo pose de moderna, de equipada.
É, eu tenho sorte de tê-la, minha grande e veloz mulher.
Opa, essa estação parece a ideal para dar um salto no tempo e fazer com que essa longa viagem sem rumo e sem fim tenha pelo menos um dia de descanso da fúria dos seus motores.
Vem cá, e vem ser minha menina escondida nos meus braços. Só dessa vez.









