Eu abri aquela caixinha e lá estava uma mocinha sem vida bailando sem fim, mas firme na sua dança enquanto durasse a música. Nem era algo tecnológico que entretém muito as pessoas dos anos 2000 e poucos - como se coisas analógicas não tivessem mais graça, mas têm -, só que foi algo que me lembrou uma certa época, em que me encontrei e me perdi em meio aos passos, compassos e pés descalços da moça que não queria que a música parasse.
Eu, como um cara
Então, olhos nos olhos e sapatos nas mãos, resolvemos trocar algumas palavras e arriscar a própria existência que tinha um ritmo estranhamente mesclado entre samba e ska. Cada hora uma emoção, uma dança livre de movimentos, risadas e desejos. E, olha, ver aquele pedacinho de gente devorar um mega hambúrguer em 5 minutos foi uma experiência aterrorizante.
Eu, meus dramas e ela na janela. Assim foi por tanto tempo que não tenho como mensurar e contar para você que está lendo esse punhado de palavras que algum sentido fazem pra mim.
Moça alada, e eu ao lado, mas estava tudo bem. O que desandou o ritmo foi a minha habitual falta de treino, enquanto ela rodopiava e delirava, absoluta em meio à dezenas, centenas de pessoas. Intensidade era seu nome, sabendo ser insanamente sexy, firme, linda... Queria arrancar suas roupas ali mesmo, deixar as coxas e mostrá-las como minhas também, mesmo sem ter ideia do ritmo que ela desenhava com o corpo, mas eu queria fazer parte daquilo! Só que ainda faltava algo, não sei se era meu modo escroto de não conseguir jogar o corpo e só jogar a cabeça. O bizarro para um homem que sempre foi tão bem resolvido, começar a engatinhar passos e ritmos desconhecidos: eu fiz.
Não quis fazer feio, dei o fora da roda, deixei aquela saia rodopiante cuidar daquele corpo que era tão meu e projetado para ficar ao meu lado nas noites frias, quentes e na insônia. No sono também.
Compassos diferentes e essa bailarina de plástico brincando comigo.
Ah, se eu pudesse dançar, ah se eu encontrasse ritmo na vida da forma que aquela bailarina com vida e de carne e osso encontrou...
Fechei a caixa, mas a mocinha continuou dançando, com vida. Já essa aqui, de plástico, mal torneada, desiste assim que deixou de ver a luz. Ficou encolhida dentro de um amontoado de madeira...
Já a minha, sempre minha, está em algum salão, convicta de que seus movimentos fazem parte de quem ela é e sempre será.












