Na ultima sexta feira (02/02) foi lançado com exclusividade no site Netflix o seriado House of Cards, criada por Beau Willimon, com direção David Fincher ( Se7en, Fight Club, The Girl with the Dragon Tattoo), adaptado do romance homônimo escrito por Michael Dobbs e da série de televisão britânica criada por Andrew Davies.
Como uma mistura de jogo de xadrez com poker, Underwood sabe muito bem sacrificar peões ao mesmo tempo que blefa com seus adversários, não raramente, aliados políticos. Sua única aliada que por algumas vezes é prejudicada com este jogo é sua esposa, Claire Underwood (Robin Wright), dona da empresa filantrópica CWI, que espera o sucesso de seu marido para aumentar a influência em outros países, e assim, aumentar sua arrecadação. Para conseguir derrubar seus oponentes, Frank usa a jovem jornalista Zoe Barnes (Kate Mara) e vaza informações privilegiadas causando uma série de escândalos que enfraquecem a credibilidade destes. A carreira da jornalista ascende de forma meteórica, causando intrigas e mais jogos.
Frank é mau, não se deixe enganar. Vai além do “anti-herói”, ele consegue aquilo que quer, e suas derrotas são orquestradas. Diversas vezes, em meio a uma aparente crise onde se mostra perturbado, ele olha resoluto em direção a câmera, e conversa com o espectador, profetizando o próximo passo dos políticos ao seu redor. a primeira cena do seriado é o atropelamento do cão de seus vizinhos, e enquanto ele o afaga, ganindo, ao chão, ele diz olhando ao animal: “existe dois tipos de dores. a dor que o torna mais forte; e a dor inútil, a que se reduz ao sofrimento.” Quando olha diretamente para a câmera, como se nos observasse e rebate: "não tenho paciência com inutilidades", e termina com o sofrimento do cão. Mas uma única frase é marca de sua personalidade durante todo seriado: “Não confio em ninguém”. Sua premissa é “ser mau para um bem maior” - quase um modelo ideal de Maquiavel.
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| Para ele, os fins justificam os meios. |
Tenho que dizer que alguns seriados, por mais cheios de cenas com muita ação me dão sono, ou me entendiam. Breaking Bad é um exemplo. é uma ótima trama, mas sinto que as ações ficam reservadas aos 10 minutos finais. Não houve uma vez que bocejei diante os 13 episódios deste. Diversas vezes eu via lampejos de O Poderoso Chefão nos atos de "ajuda mútua", ou na forma como aqueles que recusavam eram retaliados. Porém a narrativa é muito concentrada nos discursos, então é necessário estar atento a cada entonação de voz, cada babulciar, ou hesitação. A ação fica muito por conta dos olhares, já que, especialmente do personagem principal, criam um diálogo mudo, mas intenso. Recomendado para maiores de 20 anos, que gostam de política, dramas, reviravoltas e dialogos intensos como do filme Cães de Aluguel.
Este seriado tem um outro ponto que deve ser observado. Não está nas Tv’s, mas sim no computador. Inicialmente pleitiada pela HBO, ShowTime e AMC, Os produtores optaram pela Netflix. Sem querer fazer uma publicidade, mas isso mostra uma possível tendência dos novos programas, como uma forma de combater a pirataria. E por outro lado, traz mais assinantes para o site. O seriado pode parecer ficcional, mas os mesmos jogos de poderes estão ai, até mesmo na própria estrutura de transmissão.
House of Cards, disponivel no site Netflix:
http://movies.netflix.com/WiMovie/House_of_Cards/70178217?trkid=2361637










