sábado, 27 de outubro de 2012

Persépolis - Marjane Satrapi



SEM SPOILER

Pérsia, hoje o Irã, é invadida pelos Árabes. A Dinastia Sassânidas é derrubada. Mulçumanos e guerras do século XX. Revolução Islâmica. 1979. Marjane Satrapi. Ser um cidadão Iraniano nessa época é ser alguém sem identidade própria. Marjane Satrapi revela em uma autobiografia, uma grande experiência de vida em meio a uma guerra que transformou seu país em um lugar onde a liberdade é utópica e o amor se mistura a dores.

Persépolis é um filme de animação francês, inspirado e adaptado do livro - de mesma história - , em quadrinhos, da autora Marjane Satrapi, que também dirige e o roteiriza o filme juntamente com o também diretor Vincent Paronnaud. Marjane, ou simplesmente Marji, conta sua história dentro do contexto ditatorial do seu país durante a década de 1979, imposto pelo governo totalitarista do Xá. Ela mora em Teerã, capital do Irã e desde a sua juventude convive com esse regime e posteriormente com o fundamentalismo, instaurado pelos Aiatolás - grupos islâmicos extremamente fanáticos religiosamente, politicamente e socialmente -, após uma conturbada revolução islâmica. 


O novo regime rege cada detalhe, cada ponto da vida dos iranianos e torna o país cada vez mais isolado do resto do mundo. Nessa época Marji tinha apenas 10 anos, e uma das coisas que mudou em seu hábito desde então, foi o uso do véu, entre outras regras que se contrariadas, passava-se por cruéis interrogatórios pró-revolução.

Ainda criança, Marji demonstrava grande interesse em mudar o mundo. Com as mudanças políticas no país, mal sabia que se tornaria uma Iraniana com profundas problemáticas. Sua família, segundo Marji, era moderna e revolucionária e tinham relativa condição financeira. Sua avó era uma figura com pitadas de bom humor e uma conselheira ativa na vida da neta. Temendo que algo de ruim aconteça com a filha, mandam-na para Viena, na Áustria. Em outro ambiente, já adolescente, Marji vive diversas experiências que a faz passar por grandes emoções e sentimentos tanto bons quanto ruins. Todo esse processo torna Marji uma adolescente cheia de revoltas, problemas e dúvidas. Queria estar em seu país, porém não conseguiria liberdade necessária e nem possibilidade de seguir os seus sonhos como gostaria.

O filme, assim como o livro, possui uma qualidade técnica e criativa que surpreende, além de possuir uma crítica muito inteligente. É uma mistura de sentimentos que prende a atenção do público, consegue espaço para o humor mesmo se tratando de um contexto dramático. O cuidado com o visual é perceptível e caminha junto com a qualidade narrativa do roteiro e da fotografia. Também surpreende pelo poder de reter a atenção do leitor/espectador, do início ao fim com detalhes simples, como o jogo de cores e o preto e branco das cenas. O filme possui a façanha de captar a tristeza, o desespero e os desejos dos personagens a ponto de transpassar esses sentimentos para fora da “telinha”.

É uma releitura de muitos assuntos delicados que são questionados até hoje por todo o mundo, como religião, liberdade, política, ideologias, culturas, costumes, entre outros. É uma obra feita com muito esmero e super recomendada!

Confira o trailer!

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