SEM SPOILER
Pérsia, hoje o Irã, é invadida pelos Árabes. A Dinastia
Sassânidas é derrubada. Mulçumanos e guerras do século XX. Revolução Islâmica.
1979. Marjane Satrapi. Ser um cidadão Iraniano nessa época é ser alguém sem
identidade própria. Marjane Satrapi revela em uma autobiografia, uma grande
experiência de vida em meio a uma guerra que transformou seu país em um lugar
onde a liberdade é utópica e o amor se mistura a dores.
Persépolis é um filme de animação francês, inspirado e adaptado do
livro - de mesma história - , em quadrinhos, da autora Marjane Satrapi, que também dirige e o roteiriza o filme juntamente com o também diretor Vincent Paronnaud. Marjane,
ou simplesmente Marji, conta sua história dentro do contexto ditatorial do
seu país durante a década de 1979, imposto pelo governo totalitarista do Xá. Ela
mora em Teerã, capital do Irã e desde a sua juventude convive com esse regime e
posteriormente com o fundamentalismo, instaurado pelos Aiatolás -
grupos islâmicos extremamente fanáticos religiosamente, politicamente e socialmente -, após uma conturbada revolução islâmica.
O novo
regime rege cada detalhe, cada ponto da vida dos iranianos e torna o país cada vez mais
isolado do resto do mundo. Nessa época Marji tinha apenas 10 anos, e uma das coisas
que mudou em seu hábito desde então, foi o uso do véu, entre outras regras que se
contrariadas, passava-se por cruéis interrogatórios pró-revolução.
Ainda criança, Marji demonstrava grande interesse em mudar o
mundo. Com as mudanças políticas no país, mal sabia que se tornaria uma
Iraniana com profundas problemáticas. Sua família, segundo Marji, era moderna e
revolucionária e tinham relativa condição financeira. Sua avó era uma figura
com pitadas de bom humor e uma conselheira ativa na vida da neta. Temendo que
algo de ruim aconteça com a filha, mandam-na para Viena, na Áustria. Em outro
ambiente, já adolescente, Marji vive diversas experiências que a faz passar por
grandes emoções e sentimentos tanto bons quanto ruins. Todo esse processo torna
Marji uma adolescente cheia de revoltas, problemas e dúvidas. Queria estar em seu país, porém não
conseguiria liberdade necessária e nem possibilidade de seguir os seus sonhos
como gostaria.
O filme, assim como o livro, possui uma qualidade técnica e
criativa que surpreende, além de possuir uma crítica muito inteligente. É uma
mistura de sentimentos que prende a atenção do público, consegue espaço para o
humor mesmo se tratando de um contexto dramático. O cuidado com o visual é
perceptível e caminha junto com a qualidade narrativa do roteiro e da fotografia.
Também surpreende pelo poder de reter a atenção do leitor/espectador, do início
ao fim com detalhes simples, como o jogo de cores e o preto e branco das cenas. O filme possui a façanha de captar a tristeza, o desespero e os desejos
dos personagens a ponto de transpassar esses sentimentos para fora da “telinha”.
É uma releitura de muitos assuntos delicados que são
questionados até hoje por todo o mundo, como religião, liberdade, política,
ideologias, culturas, costumes, entre outros. É uma obra feita com muito esmero
e super recomendada!
Confira o trailer!










