sábado, 27 de outubro de 2012

Californication

Californication surgiu em minha vida através de inúmeras recomendações de amigos que disseram existir uma grande semelhança entre o personagem Henry Chinaski (alter-ego de Bukowski) e o protagonista da série, Hank Moody (interpretado por David Duchovny). 
Sendo grande fã de Bukowski, resolvi pesquisar e tirar as minhas próprias conclusões. 




Ambos os personagens estão hoje em minha lista de amores platônicos, e vez ou outra, encontro suas características em minhas pessoas preferidas. Pessoas que passam por minha vida e trazem essa honestidade dolorosa, de ser quem realmente são, independente da forma em que as suas atitudes e palavras possam ser interpretadas por uma sociedade tradicionalista e que prega padrões que são contraditórios do ponto de vista da natureza do homem.
Assistindo a série, as comparações são inevitáveis. Beberrões, mulherengos e possuem obras que foram adaptadas para o cinema e as quais desgostam e fazem críticas abertamente. Também, em determinado momento da série, Moody passa a escrever para uma coluna, assim como Bukowski com "notes of a dirty old man". Além de ambos possuírem um estilo literário único, recheado de honestidade, uma pitada de depressão e conteúdo sexual bastante explicito. 


O modelo televisivo, assim como todas as outras adaptações, trouxe algumas alterações que transformaram a série em uma versão comercial e também visual, para que o velho sujo, com cara de alcoólatra e com o rosto desfigurado pela acne da adolescência, fosse encarnado por um homem bonito, galanteador e atrativo. 
Talvez o máximo absorvido por Duchovny para que se aproximasse do estilo de Bukowski, seja manter um visual neutro e desvinculado a vaidades, vez ou outra se assemelhando a um bêbado. 
O diferencial também está no fato de Moody ser apaixonado por Karen, a mãe de sua filha, e ser uma forma de amor que Bukowski não foi capaz de descrever em seus livros ou sequer tenha tido ao longo de sua vida.

A série Californication é produzida pela emissora showtime e teve a sua estréia em 2007. Criada por Tom Kapinos, conta com Stephen Hopkins na produção e também David Duchovny, que é o protagonista da série. 

Duchovny, por sinal, é bastante familiarizado com a escrita de Bukowski e a literatura inglesa, uma vez que é graduado pela universidade de Princeton em literatura inglesa, e possuí mestrado pela Yale. Também chegou a iniciar um programa de doutorado, que se manteve inacabado por ter dado preferencia a carreira como ator.

No Brasil, a série foi exibida pela Warner e hoje, pela I.Sat. Os episódios seguem modelos de sitcomns norte americanos  com episódios de aproximadamente de 28 minutos de duração. É caracterizado como sendo um dramédia, com toques sutis de humor e drama, e temáticas com sexo e drogas.
A história gira em torno de Hank Moody, um escritor que passou por um processo de bloqueio criativo e costuma culpar a mudança drástica de New York para Los Angeles por seus problemas.  Possuindo dois livros de sucesso (com um deles envolvendo a filha do homem com quem sua mulher pretendia se casar e sendo este o foco central da série ao longo das primeiras temporadas),  Hank é obrigado a lidar constantemente com as conseqüências do consumos ocasionais de drogas e álcool, e também sexo casual.  Tenta, ao mesmo tempo provar para a sua família que pode ser um pai responsável e preocupado com a criação de sua filha Becca, e também um bom homem para a mulher de sua vida, Karen. 


Além de Duchovny, a série conta com Natascha McElhone no papel de Karen (ex-mulher de Hank e amor de sua vida), Evan Handler como Charlie Runkle (melhor amigo e agende de Hank), Madeleine Martin, como Becca (filha de Hank com Karen), Pamela Adlon, no papel de Marcy Runkle (ex-mulher de Runkle) e outros personagens no elenco de apoio que marcaram a série, como Mia (Madeline Zima), Lew Ashby (Callum Keith Rennie), Sue Collini (Kathleen Turner), Stu Beggs (Stephen Tobolowsky) e Richard Bates (Jason Beghe)

Além de forte roteiro, persongens carimasticos e cativantes, possuí referencias ao mundo do Rock e pode-se encontrar em sua trilha sonora, músicos como Warren Zevon, Bob Dylan, também My morning jacket, Rolling Stones, Doors e outros. 

Mais que uma recomendação destinada apenas à série, recomendo também uma leitura na obra de Charles Bukowski. O autor relata sua infância e adolescencia, narrando suas primeiras memórias, a relação com o pai abusivo, os desempregos gerados pela crise de 29 e a forma que sua família optou em lidar com isso. Em outras novelas, também aborda o seu relacionamento com as mulheres, o roteiro que escreveu para Hollywood, o seu período nos correios (trabalho que detestava), a fase pulando de emprego em emprego, o consumo de álcool e drogas, e demais temas que são abordados com sua honestidade característica.


Aos interessados em conhecer a série, Link para Downloads de Californication, via torrent.

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