Ainda aos 14 anos, escutei Libertines pela primeira vez, e embora seja repetitivo citar o primeiro momento em que entrei em contato com algo que hoje me declaro fã, sinto que estas conexões trazem consigo um significado bastante relevante.
Parte desse significado está na sintonia que você estabelece com a obra de um artista. A forma com que você se conecta e os sentimentos que compartilha e que muitas vezes já estavam ali e você passa a conviver melhor com cada um deles. Essa foi inclusive uma definição que encontrei em um dos livros do Humberto Gessinger e que traduziu de forma muito precisa a forma que me sentia em relação a alguns filmes, livros e músicas.
Talvez o maior interesse que Libertines tenha provocado a primeiro momento, tenha sido o fato de não se parecer com nada que havia escutado. A banda se enquadra em um movimento de post-punk revival, que eu honestamente não sei o que significa - pois detesto subdividir o que pra mim é apenas rock -, mas movimento dos anos 2000 influenciado principalmente pelo punk rock do final da década de setenta e que influenciou também bandas como arctic monkeys, bloc party, placebo, hives, Le tigre e diversos outros.
Em suas músicas, pode-se escutar com clareza as influencias distintas e, no entanto, complementares, dos fundadores da banda Pete Doherty e Carl Barat. Entre estas influencias, se destacam bandas como the Clash, Velvet Underground, the Doors e Smiths.
Ambos possuíam também gosto pela literatura inglesa dos séculos XVIII e XIX. As influencias do gosto literário são tão nítidas, que o próprio nome da banda foi inspirado na obra "lusts of the libertines", do Marquês de Sade.
Suas letras refletem a relação conturbada de amor e ódio entre Carl e Pete, que discutem em suas músicas conflitos internos da banda, também temáticas envolvendo drogas e amores.
Os líderes e fundadores da banda, Pete Doherty e Carl Barat, se conheceram quando Barat ainda estudava Universidade de Brunel e dividia apartamento com Amy-Jo Doherty (irmã mais velha de Pete). Ao se conhecerem, perceberam a compatibilidade, capacidade criativa e artística e estabeleceram um vínculo refletido, primariamente, na paixão por composições. Carl abandonou a universidade, no segundo ano, e Pete também, após o apenas um ano de estudos em literatura inglesa pela universidade de Londres. Juntos, se mudaram para um apartamento ao norte de Londres. Formaram uma banda chamada “The Strand” - nome abandonado e substituído por inspiração em Sade -, com seu vizinho Steve Bedlow. O baixista John Hassall e o baterista Johnny Borrell se uniram a banda e tocaram com os libertines durante curtos períodos.
Muitos dos primeiros shows da banda aconteceram no apartamento dividido por Carl Barat e Pete Doherty.
Muitos dos primeiros shows da banda aconteceram no apartamento dividido por Carl Barat e Pete Doherty.
Em março de 2000, os libertines conheceram Banny Poostchi que desempenhou um papel ativo na gestão da banda. Em dezembro de 2000, ainda sem contrato com nenhuma gravadora, Dufour (bateria), Hassall e Pootschi abandonaram a banda. No entanto, com o sucesso dos Strokes, Pootschi reconsiderou e formularam um plano para que conseguissem que os libertines assinassem com a Rough Trade Records dentro de seis meses. Neste período, Carl e Pete escreveram muitas das músicas que viriam a fazer parte do primeiro álbum. Gary Powell foi recrutado para tocar bateria.
Em 2001, assinaram um contrato com a Rough Trade, e após assinarem o contrato, Barat e Doherty alugaram juntos um apartamento, ao qual deram o nome de Albion rooms. Hassall retornou a banda, informado que teria papel secundário, uma vez que o foco da banda estaria na parceria entre Doherty e Barat.
Com a banda estabelecida, composições e um contrato, começaram a dar shows mais importantes, juntamente com strokes e vines.
Rapidamente, o nome da banda começou a se espalhar pela imprensa musical, com a NME tendo um interesse particular pela banda. O primeiro single (duplo A-side “what a waster” e “i get along”), produzido por Bernard Butler (antigo guitarrista dos Suede), foi lançado em Junho de 2002, e ficou marcado pela indiferença da mídia, tendo também pouco tempo de duração nas transmissões via radio e televisão, devido ao uso liberal de palavrões.
Uma versão censurada surgiu na BBC radio 1, como escolha da semana dos DJs Mark e Lard.
Na semana seguinte, os libertines surgiram na capa da NME pela primeira vez.
O primeiro álbum (up the bracket) foi gravado e produzido por Mick Jones (the Clash). Durante a gravação de up the bracket, e na turnê que o sucedeu, o uso de drogas de Doherty aumentou bastante (nessa altura, crack e heroína), e a sua relação com o restante da banda foi se deteriorando. Surgiu então uma ruptura e as tensões passaram a ser sentidas em suas apresentações. O final do ano ficou marcado pela saída de Carl Barat do apartamento que dividia com Pete Doherty.
Com o registro do compromisso com a banda, tanto Doherty como Barat, tatuaram ambos a palavra Libertine em seus braços, em viagem aos EUA, escritos na caligrafia um do outro. O prelúdio deste momento, pode ser ouvido na sessão de babyshambles sessions, de the good old days.
(Quando
após dizer "A list of things we said we'd do tomorrow," Doherty grita
'Get a tattoo!)
De volta ao Reino unido, as tensões aumentaram. O novo single dos libertines, don’t look back into the Sun, teve o regresso de Bernard Butler na produção. A qualidade lírica da canção foi elogiada e o single manteve-se como um bom exemplo dos talentos de Doherty e Barat enquanto letristas. Contudo, Doherty não trabalhou muito bem em conjunto com Butler e raramente esteve presente durante o processo de gravação. O resultado de sua ausência foi refletido em vozes providenciadas e Butler na guitarra por diversas vezes.
Doherty, tentando atenuar a tensão com Carl Barat, resolveu organizar um show comemorativo de aniversário. Mas Carl tinha outros planos e Doherty acabou tocando sozinho, e se sentindo traído, se recusou a tocar na Alemanha, na turnê européia dos Libertines. A banda foi obrigada a tocar sem ele, com a ajuda de um técnico de guitarras que precisou aprender as partes do Doherty. Diante de todos os problemas, Carl não permitiu que Pete voltasse à banda, a menos que se desintoxicasse.
Pete continuou tocando em projeto paralelo chamado Babyshambles, enquanto os Libertines completavam seus compromissos no Japão sem ele.
Doherty, tentando atenuar a tensão com Carl Barat, resolveu organizar um show comemorativo de aniversário. Mas Carl tinha outros planos e Doherty acabou tocando sozinho, e se sentindo traído, se recusou a tocar na Alemanha, na turnê européia dos Libertines. A banda foi obrigada a tocar sem ele, com a ajuda de um técnico de guitarras que precisou aprender as partes do Doherty. Diante de todos os problemas, Carl não permitiu que Pete voltasse à banda, a menos que se desintoxicasse.
Pete continuou tocando em projeto paralelo chamado Babyshambles, enquanto os Libertines completavam seus compromissos no Japão sem ele.
Puto da cara com toda a situação, Pete invadiu o apartamento de Carl e, consequentemente, foi preso. Em agosto se declarou culpado e cumpriu dois meses de prisão. Em meio do tumulto interno da banda, don’t look back into the Sun, foi lançado em Agosto e alcançou o 11º lugar nas paradas de sucesso. A mais alta posição que havia atingido até então. Os libertines tocaram em diversos festivais, com Anthony Rossomando como guitarrista substituto (e que mais tarde viria a fazer parte de Dirty Pretty Things).
Quando Pete foi solto, Barat esperava por ele nos portões da prisão. O que caracterizou um mometo emotivo e fez com que dessem um show no mesmo dia, junto a Hassall e Powell (presenças que não estavam previstas). O show tornou-se o concerto do ano, para a NME. Os Libertines seguiram dando três outros shows consecutivos com lotação esgotada e foram nomeados pela Q magazine, como um dos melhores 100 concertos de todos os tempos.
Banny Pootschi pediu demissão e foi substituído por Alan McGee. Os shows continuaram e deram início às gravação do segundo álbum, novamente com Bernard Butler. A relação e a dinâmica de trabalho de Pete e Butler ficou ainda pior, e Mick Jones, mais uma vez volta para a segunda tentativa de gravação do novo álbum.
Doherty voltou ao consumo de drogas, tornando as relações ainda mais tensas. Seguranças precisaram ser contratados para impedir que Pete e Carl brigassem. O álbum foi terminado e Doherty deixou as edições nas mãos dos demais membros da banda (sem saber que aquele seria o último momento da banda reunida em estúdio).
Pete Doherty, naquele ano, foi admitido na The Priory (clínica de reabilitação) como tentativa de combater os seus vícios. Em menos de uma semana, abandonou a reabilitação. Mais uma tentativa de reabilitação surgiu, quando Pete foi à Tailândia, que caracterizou mais uma tentativa mal sucedida. Abandonou o mosteiro em que havia ficado e foi para Bangkok a procura de drogas. Foi preso por porte de armas. Foi sentenciado, com a pena sendo suspensa por 12 meses.
Os libertines não permitiram mais que Doherty voltasse a tocar com eles, mas prometeram que quando ele se recuperasse de seus vícios, seria imediatamente aceito na banda. Nesse meio tempo, Doherty havia alcançado certo sucesso com sua nova banda, Babyshambles e a possibilidade de reconciliação ficou ainda mais distante.
Os libertines continuaram e lançaram novos materiais. O novo single, “can’t stand me now” – que detalhava a ruptura dos tempos sólidos e de amizade entre Pete e Carl – ilustrava também a polemica relação de amor e ódio entre os dois. Em 2004, o álbum homônimo The Libertines, foi votado como o segundo melhor álbum do ano pela revista britânica NME.
Os libertines deram o que viria ser o último show por mais de 5 anos, no dia 17 de Dezembro de 2004, em Paris e ainda sem Doherty. Carl resolveu então terminar a banda, uma vez que não gostaria mais de editar novo material sob tal nome, sem Doherty.
Mesmo com o fim da banda em 2004, e os membros seguindo diferentes rumos - babyshambles e dirty pretty things -, voltaram a tocar juntos em 2010/2011, em uma série de shows para festivais como Reading and Leeds, tendo um retorno positivo dos fãs e também da crítica.
Mais que lembrada por todas as brigas, prisões, abusos de drogas ou álcool, vídeos polêmicos de Doherty conversando com filhotes de rato ao lado da cantora Amy Winehouse, a banda deveria receber créditos e reconhecimento pelo papel desempenhado no cenário de rock alternativo dos anos 2000.
Um dos pioneiros do movimento de post-punk revival no Reino Unido, trouxe uma qualidade musical ainda não vista, com excelentes composições e abordagem temática de questões que, quer queira, quer não (dentro ou fora de uma banda), fazem parte da realidade de jovens em todas as partes do mundo.
Recomendo que ouçam os discos da banda, "up the bracket" quanto "the libertines", e também as bandas atuais de Doherty e Carl Barat, que embora não contem com a volatibilidade do relacionamento de ambos (e que formou um aspecto essencial em suas músicas e performances ao vivo), produz um som de qualidade e com um eco do som produzido pelos libertines ao longo dos curtos anos de duração.
DISCOGRAFIA
Álbum particularmente biográfico sobre a relação entre os líderes da banda, lançado em 30 de agosto de 2004. Incluso no livro 1001 albuns you must hear before you die e ocupando a 47ª posição em uma lista dos melhores álbuns britânios de todos os tempos - pela NME, claro.
Up the Bracket - 2002:
Primeiro álbum da banda, lançado em outubro de 2002, marcando o início de um renascimento do cenário de rock britânico dos anos 2000 e também um dos melhores álbuns da década.
O título faz referência à frase usada pelo humorista britânico Tony hancock e Doherty é conhecido por ser grande fã e também membro da Tony Hancock appreciation society.
"If i'm honest, i miss having a best friend who, for all his foibles, who got me.
You know, when you meet someone who gets you and you get them on the deepest level, i mean that.
That's something that i always missed about Pete"
You know, when you meet someone who gets you and you get them on the deepest level, i mean that.
That's something that i always missed about Pete"
Parte das informações retiradas de http://en.wikipedia.org/wiki/The_Libertines















