Para onde vão aqueles que não têm para onde voltar? Veja bem. Tenho
25 anos, um apartamento agradável e um bom emprego. Quer dizer, um
emprego que paga as minhas contas e sustenta os meus vícios, que
felizmente são poucos. Me permito fumar um cigarro ao acordar,
outros dois no decorrer da tarde e mais um para finalizar a noite. E
isso basta.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Lar
Mas o questionamento é outro. Para onde
deveríamos ir? Tentei cristianismo, budismo, hinduísmo e candomblé.
Nada. Nada funcionou. Nem Deus ou qualquer xamã me traziam respostas
satisfatórias. Então tentei as drogas, mas também não preencheram esse
espaço vazio deixado por algo que não sei o nome. Por fim, recorri aos
bares, lar das almas perdidas e dos demais desiludidos. E nem isso foi
capaz de proporcionar respostas aos meus questionamentos.
Possivelmente
morrerei com eles, mas não serei o responsável pela minha própria morte.
Não tenho medo de confessar que sou demasiado covarde para tirar a
minha própria vida. E nem tentarei alguma afronta que me leve para a
cova. Quero morrer com a cabeça branca, talvez encontre alguma paz de
espírito e me contente em pescar alguns peixes aos finais de semana. Ou
melhor, talvez me torne um dos grandes viajantes do mundo e preencha
pouco a pouco o meu vazio existencial com fragmentos de outras culturas.
Mas
antes disso, preciso voltar. Voltar a alguma sensação de pertencimento,
pois aonde quer que eu vá, não consigo encontrar conforto. Não me sinto
confortável em minha própria casa. Há sempre a sensação de estar em um
lugar que não me pertence, tirando proveito de algo que não deveria
estar ali.
Eu entendo que não deveria questionar.
Apenas viver dia após dia roboticamente, como todas as outras pessoas
fazem. Porque esse vazio, está aqui, ali. Nós viemos sem pedir e vamos
embora da mesma forma. Nesse meio tempo, precisamos encontrar fuga ou
outra que nos faça esquecer que a vida, no fim das contas, não possui
propósito algum.
Religião, carreira, drogas ou álcool?
De que serve, senão para passar o tempo? Você pensa existir um grande
propósito por trás de cada uma dessas coisas. Obedece a tudo o que
dizem, constrói um império particular e se despede de forma abrupta.
Apenas uma distração. Uma revista na sala de espera do dentista,
aguardando por algo maior, que nos apavora, mas quando passa, apenas
ensina que era mais simples do que imaginávamos.
É
assustador e eu te digo porquê. Não temos para onde voltar e viver
durante o tempo de espera, sem saber o que estamos esperando para
descobrir em algum momentos que estamos aqui, aguardando a nossa morte,
faz pensar que sentar e esperar é o melhor que temos a fazer.
Então eu sento e espero. E assim vejo a vida passar.
Raphaella Grego
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20 anos. Esquisita, torta, com hábitos estranhos, tendências anti-sociais, grupo de amigos limitado, poucos amores tocáveis, muitos amores platônicos. Paixão por filmes, músicas, séries e livros. Paixão por conhecimento e pessoas adeptas dessa filosofia de vida. Aversão a limitações mentais opcionais e música de má qualidade - e não, qualidade de música não depende de referencial. Chata, irônica, sarcástica e fortes tendências a ser seca. |













