Para Amanda Holewinsky
Sexta-Feira.
Sexta-Feira.
18h15.
Para ser mais exata, 18h16. No cruzamento da Av. Amazonas com Afonso Pena. Um transito infernal na busca por um banho gelado e por sorte, programação agradável na TV. Parada em meio ao caos, reparei em um adesivo no carro ao lado. Dizia: É sempre escuro antes do amanhecer. Repeti três ou mais vezes, “é sempre escuro antes do amanhecer” e logo me veio uma história a cabeça.
Não há muito tempo, conheci uma garota. Eu a odiava.
Para ser mais exata, 18h16. No cruzamento da Av. Amazonas com Afonso Pena. Um transito infernal na busca por um banho gelado e por sorte, programação agradável na TV. Parada em meio ao caos, reparei em um adesivo no carro ao lado. Dizia: É sempre escuro antes do amanhecer. Repeti três ou mais vezes, “é sempre escuro antes do amanhecer” e logo me veio uma história a cabeça.

Não há muito tempo, conheci uma garota. Eu a odiava.
Diferente da maioria das pessoas que conhecia, ela não me lembrava ninguém além
de quem eu era. Ao olhar em seus olhos, via refletir todos os meus sonhos,
frustrações, paixões, amores, medos, erros, defeitos. Tudo o que eu não
gostaria de ver estampado em minha cara, ali, naqueles olhos cor de mel.
Parecíamos pensar da mesma forma e sentir de maneira semelhante, tanto era esse
o motivo de nos conhecermos: Amores em comum.
A vida insistia em nossos encontros casuais, sempre da maneira mais hostil; E sendo a vida tão ingrata, resolveu dar lar ao seu melhor amigo a dois quarteirões de minha casa. E era isso: Era obrigada a conviver com a minha arqui-inimiga todos os dias. Não por ter um melhor amigo a dois quarteirões de minha casa, mas porque, de maneira bastante estranha, ela se fazia presente. Era ver o livro do meu autor preferido para lembrar que era também o seu. As minhas músicas, os meus filmes. Os meus diretores e até a minha visão política. E eu a odiava mais por isso. Tudo aquilo era meu e eu não estava disposta a dividir, mas ela insistia em tomar a sua parte.
Consegui levar a nossa infecção a outro nível. Transformar toda a história em um show de aberrações. Ferir de todas as formas, usando até mesmo de minhas dores e fraquezas para concluir o meu plano de derrotar a minha “inimiga”. E consegui.
A parte mais engraçada sobre “vingança”, é que quando você finalmente chega ao ponto que achou que deveria chegar, percebe tamanha perda de tempo e energia. Desgaste emocional. E percebe também que a pior sensação existente, é presenciar a dor de uma pessoa sabendo que foi a grande responsável por ela.
Aquela dor me comovia; Me doía talvez no mesmo nível, pois ela estava ferida por quem eu era e o mal que causei. Saber disso fazia sentir esse desprezo pela parte de mim que foi responsável por àquilo. E eu entendi: É sempre escuro antes do amanhecer.
Pois o tempo cura todas as feridas. Mas o tempo faz algo ainda mais interessante: cura a nossa cabeça. A minha doença era mental. Nada que limitasse as minhas ações, mas refletia apenas as minhas inseguranças. Ver isso estampado em outra pessoa era apenas a chance de rever este e outros pontos. Era também a oportunidade de acordar todos os dias e perceber que existiam sim coisas incríveis a meu respeito.
E ah, essa vida ingrata! Sempre provocando encontros casuais.
A vida insistia em nossos encontros casuais, sempre da maneira mais hostil; E sendo a vida tão ingrata, resolveu dar lar ao seu melhor amigo a dois quarteirões de minha casa. E era isso: Era obrigada a conviver com a minha arqui-inimiga todos os dias. Não por ter um melhor amigo a dois quarteirões de minha casa, mas porque, de maneira bastante estranha, ela se fazia presente. Era ver o livro do meu autor preferido para lembrar que era também o seu. As minhas músicas, os meus filmes. Os meus diretores e até a minha visão política. E eu a odiava mais por isso. Tudo aquilo era meu e eu não estava disposta a dividir, mas ela insistia em tomar a sua parte.
Consegui levar a nossa infecção a outro nível. Transformar toda a história em um show de aberrações. Ferir de todas as formas, usando até mesmo de minhas dores e fraquezas para concluir o meu plano de derrotar a minha “inimiga”. E consegui.
A parte mais engraçada sobre “vingança”, é que quando você finalmente chega ao ponto que achou que deveria chegar, percebe tamanha perda de tempo e energia. Desgaste emocional. E percebe também que a pior sensação existente, é presenciar a dor de uma pessoa sabendo que foi a grande responsável por ela.
Aquela dor me comovia; Me doía talvez no mesmo nível, pois ela estava ferida por quem eu era e o mal que causei. Saber disso fazia sentir esse desprezo pela parte de mim que foi responsável por àquilo. E eu entendi: É sempre escuro antes do amanhecer.
Pois o tempo cura todas as feridas. Mas o tempo faz algo ainda mais interessante: cura a nossa cabeça. A minha doença era mental. Nada que limitasse as minhas ações, mas refletia apenas as minhas inseguranças. Ver isso estampado em outra pessoa era apenas a chance de rever este e outros pontos. Era também a oportunidade de acordar todos os dias e perceber que existiam sim coisas incríveis a meu respeito.
E ah, essa vida ingrata! Sempre provocando encontros casuais.
Nos encontramos em uma dessas madrugadas e foi a vida quem se encarregou de nos
mostrar quem realmente éramos. Assim, na noite. De cara limpa, inteiramente
vulnerável e sem mascaras para cobrir as nossas verdades.
Em uma dessas noites percebi que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio; E talvez a fonte mais genuína de amor, seja descobrir uma forma de amar, o que um dia odiou tanto.
Em uma dessas noites percebi que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio; E talvez a fonte mais genuína de amor, seja descobrir uma forma de amar, o que um dia odiou tanto.
E o som das buzinas me trouxeram de volta à
realidade.












