
O título dessa postagem vem de uma pergunta que uma grande pessoa fez para mim em um momento pós discussão. A resposta? Bem que eu queria dar, ainda mais para alguém tão importante para mim e que entrou nessa enrascada de compromisso sério há um tempinho.
Já dizia o grande Gabriel García Marquez:
"Nunca teve pretensões a amar e ser amada, embora sempre nutrisse a esperança de encontrar algo que fosse como o amor, mas sem os problemas do amor..."
Quem nunca teve um amor com muitas patadas, algumas pedradas e planejadas alfinetadas?
A gente tem por hábito entrar em um relacionamento com as melhores intenções e expectativas do universo, já que a parte do cortejar e conquistar mostrou o melhor de cada um, para ser de interesse do outro permanecer ao nosso lado e vice versa.
Mas, como toda relação a longo prazo, a tendência a descobrir o pior da pessoa com a qual escolhemos nos relacionar, pode ter seus grandes momentos de brigas, atritos, ciúmes, incompreensão, impaciência, implicância, irracionalidade, possessividade, cricrizice e mimimis.
E a lista é muito maior, isso é só o mais trivial a ser mensionado.
"Por que as pessoas namoram, Ju?"
A resposta banal e pouco inteligente, mistura: ócio, carência, preguiça, amor, felicidade, dependência, tesão... E a conclusão é de que é muito fácil entrar num relacionamento, o difícil mesmo é ter peito para sair.
A vontade de uma resposta universal não é só minha, não é só da amiga com problemas que nem chegam a ser realmente considerados problemas de relacionamento. Como tudo na vida é muito relativo (e esse é o mantra do blog e da minha vida), essa resposta não existe.
Um é bom, dois é atrito, três é amor livre.
Egocentrismo é a medalha de ouro nos problemas de relacionamento hoje em dia.
Sabe por quê? Por que gera brigas que todo casal que você conhece já teve, como:
- Ciúme dos amigos, da família, do cachorro, do seriado, dos ídolos, dos professores, dos vizinhos, dos colegas, do papagaio, do cursinho, do amigo desconhecido...
- Implicância com as roupas, com os horários, com os gostos, com as preferências, com a individualidade alheia...
- Impaciência com horários, vontades, desejos, pessoas ao redor...
- Prezar apenas a vontade própria e gerar atritos por esse motivo...
- Possessividade doentia;
- Brigas insanas todo dia, toda semana, todo mês e não sair do relacionamento NUNCA, por mais destruído que esteja - aí entram carência e a possessividade;
"Eu quero levar
Uma vida moderninha
Deixar minha menininha
Sair sozinha
Não ser machista
E não bancar o possessivo
Ser mais seguro
E não ser tão impulsivo...
Mas eu me mordo de ciúme
Mas eu me mordo de ciúme...
Meu bem me deixa
Sempre muito à vontade
Ela me diz que é muito bom
Ter liberdade
E que não há mal nenhum
Em ter outra amizade
E que brigar por isso
É muita crueldade..."
Às vezes, a gente nem percebe. Mas o relacionamento só daria certo se fôssemos do jeito que nosso parceiro quer, e se o tal parceiro fosse do nosso jeito. Ou seja, há namoros super egoístas por aí. E por inúmeros motivos eles continuam dando murro em ponta de faca.
Mas há os casais que entendem, repeitam e admiram a individualidade. Que entendem que cada pessoa é de um jeito, e que escolheram estar um com o outro exatamente por ter maturidade suficiente para encarar uma vida a dois, mas com dois indivíduos com diferentes histórias, pensamentos, convicções, gostos e desejos. E aí que está o segredo de um bom relacionamento: aceitar o outro como realmente é.
Minha querida, que fez essa pergunta: as pessoas namoram porque não sabem o que há além do melhor do outro. Algumas sabem lidar com as frustrações. Outras, tem tanto problema em lidar com isso, que acabam elas mesmas sendo a frustração do relacionamento.