A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol e o único conhecido que suporta a vida. Seu período de rotação em torno do próprio eixo é de 23 horas e 56 minutos. Possui um satélite natural, a Lua, e outros milhares artificiais, desde satélites ativos a escombros e lixo espacial.
O outro astro com o qual o planeta interage é o Sol: o período de translação da Terra em torno da estrela é de 365.24 períodos de rotação. Esse período é chamado de ano solar. Estima-se que a idade da Terra é de 4.54 bilhões de anos solares e que a vida surgiu no planeta há um bilhão de anos solares.
Entre as milhões de formas de vida que já habitaram o planeta, estima-se que a espécie humana surgiu há 200.000 anos solares, no continente africano.Talvez seja a única espécie inteligente que consegue habitar os 5 continentes (América, Eurásia, África, Oceania e Antártica).
O homem desenvolveu a inteligência de tal maneira que foi capaz de construir civilizações. As primeiras civilizações surgiram na Mesopotâmia, há 10.000 anos solares. Há aproximados 1500 anos solares, a civilização europeia iniciou um processo de dominação da civilização ameríndia, com a colonização do continente americano. Com o surgimento dos Estados Nacionais, iniciou-se o processo que culminou na independência das colônias americanas, 200 anos solares atrás.
Nesse processo, foi criado o Estado Brasileiro, organizado como um Império, e que mais tarde tornou-se uma república, há 123 anos solares. Dezenove anos solares mais tarde, nasceu nessa república um dos artistas mais influentes dos cem anos solares seguintes. Um ser humano que revolucionou os conceitos artísticos e foi um dos influentes que moldaram a identidade cultural da nação brasileira. Um dos responsáveis pelo triunfo do estético e do belo sobre a praticidade fria e ascética da sociedade industrial, mudando também a maneira de pensar a cidade e como ela interfere no relacionamento social. Morreu há um período de rotação, após cento e quatro períodos de translação em vida.
Uma característica interessante da inteligência da espécie humana é a capacidade de rir e fazer humor com acontecimentos trágicos. É uma espécie capaz de regozijar-se com terremotos, genocídios e a morte de seus heróis. No último período de rotação da Terra, surgiram diversas piadas com a morte desse artista.
Acredita-se que é uma forma dos homens de aliviar a dor da tragédia, mas há que ressaltar uma diferença em relação a essa morte: o simbolismo da passagem dos anos solares. Apesar da inteligência com que são dotados, a maioria dos espécimes humanos não se dá conta de seu tempo limitado de existência, nem do quanto desse tempo é desperdiçado. A morte de um espécime que presenciou duas guerras mundiais, 4 golpes de estado, duas ditaduras, a efervecência cultural e política do ano solar de 1968, a triunfo ideológico do capitalismo e da democracia não é uma tragédia só pela perda de um herói. Mas também pela perda de um século.








