terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Beautiful “Biutiful” – Uma outra definição de beleza


Sou cinéfila assumida, de carteirinha, e não queria deixar de falar sobre um dos meus filmes favoritos. Ao longo dos anos venho carregando uma bagagem considerável de produções, que aprendi a gostar com meus irmãos e meu pai.




É claro que já vi filmes péssimos, daqueles que não mereciam sequer uma indicação ao Oscar, mas também outros maravilhosos, obras primas, diga-se de passagem.
Com o tempo sobrando na reta final de 2012, resolvi pegar alguns que me atraíram, e comecei a vê-los. Recebi um excelente referencial sobre Biutiful e como não o achei em nenhuma locadora, acabei baixando na internet. Procurei pela sinopse, me interessei muito pela história. Dirigido por  Alejandro González Iñárritu, Biutiful tem como protagonista o talentoso Javier Bardem. Na Cataluña, região espanhola que serve de cenário para o drama, o longa relata a história de Uxbal [Bardem]. Diferente da Barcelona bela e ensolarada retratada por Woody Allen em Vicky Cristina Barcelona, Iñarritu mantém uma atenção voltada sobre uma comunidade globalizada cuja interação acontece por vias ilícitas.




Uxbal leva uma vida conturbada e agitada, sendo responsável por cuidar de seus dois filhos, Ana e Mateo, além de participar de atividades ilegais como a pirataria de mercadorias, desde cópias baratas até a venda dos mesmos, juntamente com imigrantes africanos e chineses. Além de ser um médium, ele ganha uns trocados recebendo mensagens de defuntos ainda frescos, para consolar seus familiares. Marambra [Maricel Álvarez], sua ex esposa não ajuda e Uxbal tem que lidar com a situação todos os dias.




Ao saber que tem uma doença terminal, ele bate de frente com um de seus maiores desafios: resolver a vida de sua família em apenas dois meses. Biutiful rendeu a Bardem o prêmio de melhor ator em Cannes, este filme nos faz entender, e até mesmo nos encaixar na rotina esperançosa de Uxbal com os vários papéis desempenhados por ele, e toda sua vida parece estar a um triz de se dissolver entre as vielas sujas de Barcelona. Buscando um equilíbrio entre a denúncia das condições subhumas em que vivem os imigrantes ilegais das comunidades contemporâneas européias e humanização, Iñarritu põe todos os personagens em dia com seus conflitos, e nisso ele tem todo o mérito.




Alejandro González Iñárritu


Em 138 minutos de pura agonia, o mexicano da um maior foco em tudo que é escuro e não brilha. Ao final de sua jornada, Bardem chega exaurido. As condições dramáticas exigidas pelo personagem, e a escolha do diretor por seu parceiro fizeram com que Biutiful, agregasse noções diferentes de beleza, fazendo com que seu elenco deixe a impressão que tudo está errado e fora do lugar.




Prêmios:

- Em 2011, foi indicado aos Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator (Javier Bardem)
- Em 2011, foi indicado aos Bafta Film Awards de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Ator (Javier Bardem)
- Em 2011, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro
- Em 2010, conquistou o prêmio de Melhor Ator (Javier Bardem) e foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes







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