Durante
um tempo indeterminado que parecia ser determinado pela instabilidade das
coisas que não pareciam se fixar, Lena buscou se dedicar a uns poucos estudos
sobre as curvaturas acentuadas de suas penalizações corriqueiras. Ela entendia
que, numa acepção mais estrita do termo, não poderia desculpar a si mesma pelas
coisas que tinha feito para as pessoas que ela não era. As penalizações de Lena
reincidiram catastroficamente sobre seu próprio corpo, e provocaram alarmes
desenfreados de coisas que queriam escapar sem poder escapar efetivamente. Lena
parecia estar dentro de um labirinto com poucas curvas, com poucas esquinas,
com passagens tão retas e corredores extremamente compridos que a
impossibilitava de enxergar qualquer outra coisa a não ser aquelas coisas
verdes que se grudam nas paredes dos labirintos. Contudo, num dia que apenas
caminhava neste labirinto, já cansada e esbaforida e empertigada em pensamentos
evasivos, Lena viu uma pequena janela, que depois não era janela, mas sim uma
estante, uma estante pequena, que depois não era mais estante, mas apenas uma
prateleira, uma única prateleira que não configurava estante alguma. Naquela
prateleira, ela disse “por favor, por favor, por favor” repetidas vezes, três vezes
três esta repetição, para ser mais exato, e da prateleira tirou um livro que da
cor eu não me lembro agora e que não faz diferença, e deste livro descolorido
pela memória perdida, Lena leu algumas coisas que a despertaram para um
interesse sobre os estudos das curvaturas acentuadas de suas penalizações
corriqueiras. De dentro daquele livro, Lena foi tirando pequenas frases que se
aglutinavam em ideias anticatastróficas e que viam nas catástrofes maneiras
ainda mais acentuadas de demarcar territórios densos de processos de
vascularização de concepções sobre o que é penalizar-se. Lena estava absorta em
pequenas linhas e sabia e via que sabia ler todas aquelas linhas. Naquela
prateleira já não havia livro além daquele. Naquele único livro, havia um mapa.
Naquele mapa, apenas vagas orientações sobre a geografia do labirinto. Seguindo
aquelas orientações vagas de um modo acertado, Lena foi alcançando o limiar. E,
então, estacionada no limiar, Lena olhou pra trás e viu que o labirinto era
densamente verde.
Numa olhada pra fora, Lena viu que tudo era densamente verde também, mas com gradações quase invisíveis. E como numa tentativa discriminada, Lena foi enxergando outras coisas, mas ainda não estava pronta. Descreveu curvaturas e triangulou pontos de desequilíbrio, mensurou ângulos sestrosos e enfim passou a entender outras particularidades de suas curvaturas acentuadas de penalizações corriqueiras. Lena já estava em outro lugar, mas mesmo assim no limiar, não aquele limiar do labirinto, mas numa transição ainda opacamente esboçada. Ela possuía um diagrama e uma cartografia e uma catástrofe pronta para ser implodida. Na implosão, outras armadilhas seriam desfeitas e provocariam o que Lena chamaria de “frustração das suas curvaturas acentuadas de penalizações corriqueiras”. Lena estava desfeita de qualquer penalização. Lena já era outra coisa, mesmo que ainda Lena. Lena no nome, apenas.
Numa olhada pra fora, Lena viu que tudo era densamente verde também, mas com gradações quase invisíveis. E como numa tentativa discriminada, Lena foi enxergando outras coisas, mas ainda não estava pronta. Descreveu curvaturas e triangulou pontos de desequilíbrio, mensurou ângulos sestrosos e enfim passou a entender outras particularidades de suas curvaturas acentuadas de penalizações corriqueiras. Lena já estava em outro lugar, mas mesmo assim no limiar, não aquele limiar do labirinto, mas numa transição ainda opacamente esboçada. Ela possuía um diagrama e uma cartografia e uma catástrofe pronta para ser implodida. Na implosão, outras armadilhas seriam desfeitas e provocariam o que Lena chamaria de “frustração das suas curvaturas acentuadas de penalizações corriqueiras”. Lena estava desfeita de qualquer penalização. Lena já era outra coisa, mesmo que ainda Lena. Lena no nome, apenas.










