Ela dançava na ponta dos pés, descalça. Fazia círculos e sorria com aquela despretensão que era habitual pelas manhãs de domingo. Cabelo no rosto, flores na mão, pés descalços e uma vontade imensa de viver a vida, mesmo trancada naquele quarto favorecido e abençoado pelo sol.
Joana era daquelas moças marcantes e fortes, porém de aparência frágil. "Uma bonequinha!", diria a minha mãe, se eu por acaso a levasse para o matadouro em um almoço tipicamente familiar. Mas não, Joana não era uma menininha boba, e sutileza não combinava com aqueles olhos que não sabiam esconder raiva e até uma certa ponta de ódio.
Ela era boa, boa em sorrir sinceramente e gritar tanto por dentro, que não conseguia disfarçar sua ira em seus olhos. A calma e doce Joana se transformava, parava de dançar com leveza e tomava a forma mais pesada, com o mundo em suas costas - não mais aos seus pés.
Ah, minha querida, fica de pé. Não deixe que o mundo te assuste dessa forma.
Você fica tão melhor, tão incrível ao me despir com seu olhar e usar meu corpo como a tela em que sua língua faz arte...









