segunda-feira, 8 de julho de 2013

Vida analógica



A galera que tem mais de 20 anos e que tem boa memória vai lembrar como era fotografar com filme: um trabalho danado colocar o filme na câmera, bater a foto, levar pra revelar e torcer para que saia alguma foto boa. Chegou o digital e ficou tudo muito fácil, você vê o resultado na hora e se não ficou bom, é só apagar e fazer outra.
Porém ainda existe um grupo de loucos (no qual eu me incluo) que prefere infinitamente a trabalheira toda de fotografar com filme. Como a comunidade cresce a cada dia e uma boa parte das pessoas nunca nem viu um rolo de filme na vida, resolvi escrever este post introdutório da vida analógica.

1-      Qual é o barato de fotografar com filme?

Parque Municipal (câmera: Canon AE-1)
Poderia filosofar aqui horas e horas, mas prefiro ser direta, são 3 fatores que gosto de levar em conta: Qualidade, preço (custo-benefício) e uma vida mais ‘’slow’’.
Esqueça os megapixels, a fotografia digital ainda não conseguiu superar a qualidade da fotografia analógica. O negativo pode ser ampliado várias vezes e em tamanhos diferentes.
Você não precisa fazer upgrade de equipamento, afinal você vai usar um equipamento de no mínimo 15 anos atrás (eu tenho câmera da década de 40, funcionando perfeitamente) e na maioria das vezes resistentes. Resiste a chuva, vento, frio, calor e até quedas de prédios de 20 andares (mentira, eu não sei se é verdade, nunca joguei minhas câmeras de prédios). São equipamentos baratos e você vai gastar mais com filme do que com câmera.
O filme desacelera a vida e treina o olhar. Este item é um pouco pessoal mas acho que cabe expor minha experiência aqui: depois que comecei a usar filme, fiquei menos ansiosa por resultados e foco mais no processo, não só em fotografia, mas em tudo na vida. Passei a ter mais cuidado ao fotografar, evitar desperdício de cliques e fazer tudo calculado, bem pensado. Minha vida mudou por completo.

2-      Por onde começar:
Parque Municipal (Canon AE-1)
Buscando nos fundos dos armários, na casa dos tios e dos avós! Sem brincadeira, é sério!  Comece com câmeras simples, daquelas “point and shoot” (aponte e atire) automáticas, sem regulagem de ISO, abertura ou velocidade. Ou se gostar de desafios comece com uma SRL com lentes intercambiáveis, foco manual e aqueles botões que só depois você vai saber para o que serve.  Comecei assim e não me arrependo, aprendi muito com meus erros.


3-      Escolhendo a câmera:
Hoje tenho aproximadamente 18 câmeras analógicas, uma digital semi-profissional e o celular que quebra o galho quando não tenho câmera por perto. Como disse no tópico anterior, comece por câmeras simples e de preferência de filmes de 35mm, é a opção mais barata. Existem as câmeras da Lomography, são lindas, foférrimas, dá vontade de levar todas...só que são de plástico (vagabundo), ou seja, aquele papo todo de câmera mais resistente cai por terra. Tenho uma Diana F+ e não tenho coragem de passear com ela.
Recomendo fortemente uma Olympus pen, ela faz o dobro de fotos com um rolinho (filme de 36 ela faz 72 fotos) e podemos aproveitar mais o filme.
Mas se a vontade de ousar aparecer, comece com a SRL, a minha favorita é a minha Canon AE-1, foi minha segunda câmera (a primeira foi a Nikon F90 x), existem zilhões de modelos, marcas e etc...cabe a você escolher a sua. São mais pesadas e com várias possibilidades de ajustes.
 
Canon AE-1
E se eu quiser ousar mais?
Vai com fé no médio formato! A Diana F+ é médio formato, usa filme 120 de 12 poses, ela é uma câmera super simples, até por isso uso ela muito pouco...Gosto do 120, é um negativo lindo (e um pouco mais caro de comprar e revelar) e acho que merece um carinho melhor...

Aí embaixo coloquei alguns exemplos de câmeras (todas minhas!)




         

       
Diana F+

Olympus Trip e Olympus Pen ee-3


Zenit 12xp

Pentax Spotmatic

Canon AE-1 (minha amada)


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