A galera que tem mais de 20 anos e que tem boa memória vai
lembrar como era fotografar com filme: um trabalho danado colocar o filme na
câmera, bater a foto, levar pra revelar e torcer para que saia alguma foto boa.
Chegou o digital e ficou tudo muito fácil, você vê o resultado na hora e se não
ficou bom, é só apagar e fazer outra.
Porém ainda existe um grupo de loucos (no qual eu me incluo)
que prefere infinitamente a trabalheira toda de fotografar com filme. Como a
comunidade cresce a cada dia e uma boa parte das pessoas nunca nem viu um rolo
de filme na vida, resolvi escrever este post introdutório da vida analógica.
1- Qual
é o barato de fotografar com filme?
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| Parque Municipal (câmera: Canon AE-1) |
Poderia filosofar aqui horas e horas, mas
prefiro ser direta, são 3 fatores que gosto de levar em conta: Qualidade, preço
(custo-benefício) e uma vida mais ‘’slow’’.
Esqueça os megapixels, a fotografia digital
ainda não conseguiu superar a qualidade da fotografia analógica. O negativo
pode ser ampliado várias vezes e em tamanhos diferentes.
Você não precisa fazer upgrade de equipamento,
afinal você vai usar um equipamento de no mínimo 15 anos atrás (eu tenho câmera
da década de 40, funcionando perfeitamente) e na maioria das vezes resistentes.
Resiste a chuva, vento, frio, calor e até quedas de prédios de 20 andares
(mentira, eu não sei se é verdade, nunca joguei minhas câmeras de prédios). São
equipamentos baratos e você vai gastar mais com filme do que com câmera.
O filme desacelera a vida e treina o olhar.
Este item é um pouco pessoal mas acho que cabe expor minha experiência aqui:
depois que comecei a usar filme, fiquei menos ansiosa por resultados e foco
mais no processo, não só em fotografia, mas em tudo na vida. Passei a ter mais
cuidado ao fotografar, evitar desperdício de cliques e fazer tudo calculado,
bem pensado. Minha vida mudou por completo.
2- Por
onde começar:
![]() |
| Parque Municipal (Canon AE-1) |
Buscando nos fundos dos armários, na casa dos
tios e dos avós! Sem brincadeira, é sério!
Comece com câmeras simples, daquelas “point and shoot” (aponte e atire)
automáticas, sem regulagem de ISO, abertura ou velocidade. Ou se gostar de
desafios comece com uma SRL com lentes intercambiáveis, foco manual e aqueles
botões que só depois você vai saber para o que serve. Comecei assim e não me arrependo, aprendi
muito com meus erros.
3- Escolhendo
a câmera:
Hoje tenho aproximadamente 18 câmeras analógicas,
uma digital semi-profissional e o celular que quebra o galho quando não tenho
câmera por perto. Como disse no tópico anterior, comece por câmeras simples e
de preferência de filmes de 35mm, é a opção mais barata. Existem as câmeras da
Lomography, são lindas, foférrimas, dá vontade de levar todas...só que são
de plástico (vagabundo), ou seja, aquele papo todo de câmera mais resistente
cai por terra. Tenho uma Diana F+ e não tenho coragem de passear com ela.
Recomendo fortemente uma Olympus pen, ela faz
o dobro de fotos com um rolinho (filme de 36 ela faz 72 fotos) e podemos
aproveitar mais o filme.
Mas se a vontade de ousar aparecer, comece com
a SRL, a minha favorita é a minha Canon AE-1, foi minha segunda câmera (a
primeira foi a Nikon F90 x), existem zilhões de modelos, marcas e etc...cabe a
você escolher a sua. São mais pesadas e com várias possibilidades de ajustes.
E se eu quiser ousar mais?
Vai com fé no médio formato! A Diana F+ é
médio formato, usa filme 120 de 12 poses, ela é uma câmera super simples, até
por isso uso ela muito pouco...Gosto do 120, é um negativo lindo (e um pouco
mais caro de comprar e revelar) e acho que merece um carinho melhor...
Aí embaixo coloquei alguns exemplos de câmeras
(todas minhas!)

















