quarta-feira, 17 de julho de 2013

Let it go! Uma reflexão sobre perder e ganhar

Sempre adorei cortar o cabelo, principalmente pra marcar novas fases. Não tenho esse apego que muitas mulheres possuem. Sento na cadeira do salão, peço um corte curto e pronto.

Não vou dizer que faço isso cem por cento segura, porque quando a tesoura passa perto do pescoço, derrubando chumaços grandes, minha barriga dispara um alarme frio. É como se meu corpo dissesse: “Ei, vai com calma! Isso aí faz parte de mim”. Mesmo assim, eu adoro! Adoro passar as mãos nas madeixas macias com pontas novas. Adoro ver o velho cabelo no chão.

De um modo geral, fomos mal acostumados. Aprendemos que é melhor reter e acumular para nos sentirmos seguros, mas é exatamente ao contrário. Quando a gente perde ou abre mão é que a segurança vem. É assim com a bicicleta quando você tira as rodinhas, com as boias que você deixa de usar ao nadar, com os pais que ficaram no interior enquanto você foi enfrentar outra cidade... De repente, nasce um novo alguém que, mesmo tendo perdido alguma coisa, ficou mais confiante, mais maduro, mais sábio.  Matemática exata é essa da vida, onde mesmo perdendo, se ganha.

Já escolhi meu próximo corte, também já estou preparada para o espanto das pessoas ao me verem, na percepção delas, com uma coisa a menos. Mal sabem que essa é uma das minhas formas favoritas de renascer. E eu aconselho todo mundo a nascer de novo dessa forma: abrindo mão. Aconselho todos a olharem ao redor e analisarem o que realmente é necessário: será que não existe algo na sua vida que traz sensação de garantia, mas na verdade só está lhe impedindo de viver algo inédito?

Bem, eu estou decidida. Vou falar pra cabeleira vir com tudo. Vou pedir um corte generoso no cabelo, que traga frescor pra minha nuca e tire-me o peso dos ombros.

Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Postar um comentário