Não me venha falar que esqueceu, que deitou-se e
debilitou-se e que não estava, que não era você.
Não me venha com vontades reprimidas com questões mal
resolvidas, esperanças dissolvidas sobre o que ficou.
Ah! Não. Não venha
com falsas promessas e explicações desconexas do porque de não ter ligado,
observado, me achado e me chamado.
Não seja aquele que justifica os poréns e por quês e procura
no mundo a explicação da sua fonte de racionalidade. Nunca seja esse ou aquele
de várias formas, para várias pessoas de muitas vozes e poucos sentidos. Não
apague esse cigarro e me venha reclamar da sujeira do cinzeiro, do espelho e do
banheiro.
Não! Não, perca seu
tempo evitando tabloides, tendências, experiências e conveniências analisando
seu futuro, o futuro do cachorro do vizinho e o preço do álcool. Não toque o
que já lhe tocou e não permita que te toquem.
Não evite ficar bêbado aos domingos. Não trabalhe e não
deixe que isso lhe atrapalhe.
Não. Por favor, não lave suas cuecas rasgadas e nem mesmo
suas meias de pares diferentes. Não use aquele perfume caro e nem mesmo pense
em deixar essa sua barba grossa crescer. Não pense em filhos, em sobrinhos, e
em como você seria um bom velhinho.
Não fique horas no vídeo game, tentando entender aquela fase
e aquele lugar.
Não torça pelo seu time nas quartas de finais de campeonato.
Não se iluda com as questões do mundo ou do fim do mundo. Não toque aquela
música e não tente entender a história do ovo e da galinha.
Não se esqueça.
Não se deixe levar, desapegar, esperar.
Não seja esse que você pensa ser, sem antes tomar seu café
da manhã ao acordar...








