segunda-feira, 11 de março de 2013

Desconstrua


Não me venha falar que esqueceu, que deitou-se e debilitou-se e que não estava, que não era você.

Não me venha com vontades reprimidas com questões mal resolvidas, esperanças dissolvidas sobre o que ficou.

Ah!  Não. Não venha com falsas promessas e explicações desconexas do porque de não ter ligado, observado, me achado e me chamado.

Não seja aquele que justifica os poréns e por quês e procura no mundo a explicação da sua fonte de racionalidade. Nunca seja esse ou aquele de várias formas, para várias pessoas de muitas vozes e poucos sentidos. Não apague esse cigarro e me venha reclamar da sujeira do cinzeiro, do espelho e do banheiro.

Não!  Não, perca seu tempo evitando tabloides, tendências, experiências e conveniências analisando seu futuro, o futuro do cachorro do vizinho e o preço do álcool. Não toque o que já lhe tocou e não permita que te toquem.

Não evite ficar bêbado aos domingos. Não trabalhe e não deixe que isso lhe atrapalhe.
Não. Por favor, não lave suas cuecas rasgadas e nem mesmo suas meias de pares diferentes. Não use aquele perfume caro e nem mesmo pense em deixar essa sua barba grossa crescer. Não pense em filhos, em sobrinhos, e em como você seria um bom velhinho.
Não fique horas no vídeo game, tentando entender aquela fase e aquele lugar.

Não torça pelo seu time nas quartas de finais de campeonato. Não se iluda com as questões do mundo ou do fim do mundo. Não toque aquela música e não tente entender a história do ovo e da galinha.

Não se esqueça.

Não se deixe levar, desapegar, esperar.

Não seja esse que você pensa ser, sem antes tomar seu café da manhã ao acordar... 

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