quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Alguns quilos a mais e neuras a menos

Não sei nem dizer como aquilo tudo começou e nem se vai começar a acabar algum dia.
Aquela vontade de dilacerar seu coração e colocar lá dentro todos os sentimentos que me eram faltosos foi passando e sendo substituída por uma sensação de recompensa pelo meu bom comportamento na sua ausência.
Mudei o endereço, desfiz as malas, pendurei alguns quadros e pintei a parede de cores inimagináveis! E assim, foi amadurecendo a ideia de que sem você, sem seu desamor e sem suas metáforas, eu podia ser mais feliz novamente. E digo mais, foi quase uma premonição.
Além de tudo, construí meu espaço mental ao estabelecer laços fortes com quem realmente importa, e sendo novamente aquela pessoa sorridente que havia ficado em stand by por algumas centenas de dias!
Mas passou. Conheci a força interior que estava adormecida e remei ainda mais forte contra a maré, até sentir o vento bagunçando meus cabelos e refrescando o lugar vazio sem sentimentos pesados. Refrescou até mesmo o que não estava lá, preparando o terreno para o que vinha. Remar o barco sozinha tem seus momentos divertidos.
Agora, com uns quilos a mais e neuras a menos, posso dizer que encontrei a tão sonhada liberdade intelectual e física que foi almejada durante meses, e que pareciam apenas histórias bobas, longe de parecer uma realidade para alguém como eu.
Mas aqui estou, pra provar o contrário e dizer: eu tô legal. Não precisa me ligar, me perguntar, presentear e fazer questão de saber se estou bem. Porque continuarei assim, sem depender dos outros para ser feliz. Felicidade vem de dentro, cada um se permite sofrer com intensidades diferentes.
Vai remar seu barco, vai sentir a brisa no rosto. E que ela leve junto aos seus cabelos bagunçados toda a questão que um dia fiz de tentar fazê-lo entrar no meu conceito de felicidade. Vai ser feliz! Eu estarei esperando do outro lado, com um abraço amigável e dizendo: "viu? demora, mas vale a pena!". E, quem sabe, tomaremos um vinho rindo das nossas histórias, sem nenhuma mágoa, sem nenhuma esperança? Porque cada um tem seu barco, e cada um dá suporte e acaba virando o bote alheio.

"Pode falar, não importa
O que tenho de torta,
Eu tenho de feliz,
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom."

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