"-Seria tão bom ter alguém para abraçar agora..."
Quem nunca?
Normalmente esse pensamento vem acompanhado de um aperto no peito e um abraço no travesseiro. Ou vem logo depois de ouvir aquela música deprê e nos faz desejar uma boa dose de álcool, ou de comida ou de nicotina. Alguma coisa, qualquer coisa que preencha aquele vazio.
E este vazio, por que existe? Pode ser culpa daquela pessoa que nos fez de gato e sapato, arranca seu coração, o serve pulsante numa salada e devora enquanto ficamos olhando, atônitos, um romance terminando. Pode ser culpa daquela frustração contínua, de passar por um, dois, três, cinco relacionamentos num ano que deram errado. Ao mesmo tempo em que seu melhor amigo faz 6 meses de um namoro tão fofinho que dá nojo. E inveja. Não interessa por que ele está lá, o que interessa é que ele dói.
Eu gostaria muito de dizer que é culpa do amor romântico, dos padrões de beleza impostos e de outras bitolações da sociedade moderna. Tudo isso é verdade, e ainda que eu goste muito de discutir essas bitolações, hoje eu vou ser solidário com todos o que sofrem por amor. Porque o amor não é racional, porque eu também já sofri, eu já vi que amor pode doer.
E quando para de doer, pode ficar ainda mais triste. Pode nos tornar ascéticos, nos fazendo acreditar que não mais somos capazes de amar. Nos faz erguer muros e barreiras em torno do coração, e qualquer um que se aproxime dele. Nos torna menos sentimentais, menos bobos, mais maduros... e nos priva de boas experiências.
Por isso, por mais difícil que seja para controlarmos essa carência e cuidar do jardim, é isso o que precisamos fazer. Esse período de luto amoroso é difícil, mas passa. E é bom que ele dure o maior tempo possível. Porque é o período que precisamos para recuperar nossa identidade, nossa autonomia e nossa força. E meu amigo, minha amiga... não existe coisa como príncipe encantado. Esperar que alguém nos "levante", nos faça feliz , é procurar por um relacionamento em que o parceiro tem tudo para nos dominar. Emocionalmente, psicologicamente e, na pior das hipóteses, fisicamente.
Relacionamentos amorosos são de igualdade, não de dominância. Exercer o domínio sobre a pessoa é uma das características de um relacionamento abusivo. E se carência não mata, relacionamentos abusivos,podem sim, machucar ou matar (ou nos fazer nos machucar).
Curta seu luto e respeite seus limites, porque tudo passa. Não desista do amor, mas lembre-se de que felicidade e amor são independentes. Não aceite qualquer coisa que aparecer na sua frente. Não limite seu afeto, faça um esforço para amar seus amigos e sua família. Energias positivas pra você, que tá na fossa!









