quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não me diga o que fazer!


"Você está vivendo de forma errada", disse alguém que tinha certeza de que seu julgamento era melhor. Quem nunca?

"As cores vibrantes do seu tênis
Que caminham em minha direção
Caminho devagar, se o tempo for bom
Não pense muito
No fim, tudo se adapta
Se alguém te deixou cego
Não questione, simplesmente vá"

A medida do tempo em que vamos vivendo e nos apegamos a uma vaga noção de amadurecimento, caímos na armadilha de pregar a nossa palavra como verdade universal, criticando quem não segue nossa linha de raciocínio e pensamento. E isso é a maior bobeira do universo, pode ter certeza.


Nessas viagens loucas, algumas pessoas passam a vida toda se prendendo ao que estão vivendo de forma certa e/ou errada, se apegando aos pensamentos alheios e esquecendo do seu próprio julgamento, com medinho de que a sociedade condene seus atos. Seria essa uma forma esperta de se viver?

Alguns conceitos de certo e errados já são impostos assim que nascemos: roubar é errado, matar é errado, falar palavrão é errado, xingar os pais é errado, obedecer os pais é certo, estudar é certo, agradar o outro é certo.

A verdade, é que mesmo criados para seguir uma direção pré-programada entre o que é ou não certo, acabamos por crescer e ter nossas próprias experiências e opiniões, o que pode chocar quem sempre nos colocou no caminho que tem certeza de que é o correto. Se fazemos um leve e inofensivo desvio, isso pode ser visto como uma grande ofensa. E aí que entra a parte em que a tolerância e o respeito devem ser rotina.

São conceitos muito pessoais, e o impulso do julgamento é simplesmente desnecessário. Mas sempre, sempre há quem o faça.


Os conservadores estão sempre certos por serem conservadores.

Os libertários estão sempre certos por serem libertários.

"Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo
Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo, eu me entrego"

Seguindo as leis, se não feriu outra pessoa, matou, roubou, enganou de forma leviana e cruel, não há motivo para ser questionado sobre suas atitudes, muito menos ser COAGIDO a agir de uma forma específica (e até as leis tem suas falhas, acredite). Esse papel ditatorial já não faz parte do nosso modelo de vida há eras, mas há quem viva em uma mini tirania para se sentir alguém, apontando o dedo para todos e repetindo "isso não é certo, que vergonha!".

Esse pensamento lembra um livro do Carlos Castañeda, autor da erva do Diabo,

em que é desenvolvida a teoria do pequeno tirano:
que um guerreiro ou guerreira da luz ou alguém que tem um propósito e um destino maior
encontram pessoas em posição de poder para desafiá-las e que isso as fortalece
muitas vezes estas pessoas estão na própria família.

Ter a própria noção de moral e ter para si que não faz mal nenhum agir como uma pessoa que pensa, não faz tanto mal assim.
Eu tô errado pra você? Olha minha cara de preocupação!

O que vale é pensar que não há, de fato, o certo e o errado. A certeza é que existe a opinião individual de cada um. E, mesmo assim, o certo pode ser errado pra uma pessoa e o errado pode ser certo pra outra. 
Logo : certo e errado são assuntos complexos e que variam de opinião em opinião.

Já dizia a diva Joss Stone, na música Right to be Wrong:
You're entitled to your opinion
But it's really my decision
I can't turn back I'm on a mission
If you care don't you dare blur my vision
Let me be all that I can be
Don't smother me with negativity
Whatever's out there waiting for me
I'm going to faced it willingly

I've got a right to be wrong
My mistakes will make me strong
I'm stepping out into the great unknown
I'm feeling wings though I've never flown
I've got a mind of my own
Flesh and blood to the bone
See, I'm not made of stone
I've got a right to be wrong
So just leave me alone



Ps: trechos da música "Entregue-se - Tiê"


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