quinta-feira, 29 de novembro de 2012

It's just the Dexter that I used to know...

Antes de uma deliciosa prova, enquanto estudava assistia à segunda temporada de Dexter, Bay Harbor Butcher. O Dexter tendo que agir e tomar iniciativas para resolver seus problemas, sem que eles... simplesmente desaparecessem.


Clique na imagem para aumentar e rir da legenda.
Haja vista Lila que tentou desaparecer, e bem... o resto vocês já sabem.


Desde a última temporada (6ª) algo tem sido frequente em Dexter a falta de nexo causal e lógico.  Os problemas aparecem e desaparecem com uma facilidade incrível, sem que o nosso protagonista nem saiba ou explique como resolveu. Vamos aos exemplos, ao laboratório: a tela.
Na terceira temporada, quando Dexter, que esta algemado tem que se livrar cortar algumas carótidas e correr pro casamento. Eles se joga, quebra o próprio dedo e se livra da algema.
Na sexta temporada, Dexter encontra-se em uma situação também difícil, amarrado em um barco pronto para explodir, o protagonista espera a explosão para reaparecer há alguns metros, com as mãos livres.

Outra comparação é a dificuldade que Dexter tinha de se livrar das armadilhas montadas pelos seus inimigos, a última tentativa de execução ele sobrevive porque vai pegar as chaves que acidentalmente caem no chão.
Cagada do personagem ou dos roteiristas? Você decide!

 Talvez isso faça o Dexter ter aquela reação diante de sua irmã e tenente e paixão e cúmplice.

Não bastando as resoluções Deus Ex Machina, a série parece investir tempo demais em tramas e personagens que não rendem absolutamente NADA.

                                                                                     Nas últimas duas temporadas tivemos a aprendiz do Masuka.Uma garota completamente descartável, sua função poderia ter sido desempenhada por qualquer um.


No entanto, o pior é O aprendiz do Masuka, o sujeito aparece, aproxima-se do Dexter, revive um drama passado do protagonista, congela os cartões do mesmo, conhece o Dark Passenger e o desrespeita... para simplesmente MORRER (!?).


É incrível como as personagens vão se perdendo, as características que os fazem ser quem são desaparecem abruptamente, sem gradatividade, marca de evoluções intimistas em séries de qualidade, as personagens tornam-se incógnitas.
Não tenho nada contra a evolução de um personagem, não me interpretem mal, tanto que não teria problemas com o movimento atual da série se fosse isso que ocorresse. Em um passado distante ocorreu, quando Dexter começa a se preocupar com seus filhos e a segurança deles, o processo é gradativo e muito bem desenhado.

Cena que demonstra perfeitamente a recente falta de personalidade das personagens é quando nosso querido psycho (fa! Fa! Fa! Fa!) vai matar Hannah McKay e acaba cedendo ao seu desejo sexual.

~RAWR~
Dexter mata por prazer e necessidade, esse é o plot da série. Ao invés disso o complexo personagem é reduzido a um homem com tesão por belas pernas. Abre mão de saciar o seu maior desejo em uma vítima perfeita ao seu código.


Como já foi trabalhado na série, a necessidade do protagonista de matar é análoga a uma dependência química, peguemos um viciado em crack ou heroína em um momento de necessidade, após uma pequena abstenção, e ofereça: SEXO com a Scarlett Johansson ou uma pedra. Se o cara não for ninfomaníaco e dependente químico a escolha é óbvia.

Bem, parece que para os novos roteiristas de Dexter não!

Outra personagem que perdeu sua característica primária, sem qualquer explicação, é a Cpt. Laguerta, uma mulher marcada pela ambição e pelo desejo de se superar como minoria, sempre se preocupou apenas com o jogo de poder, agora se preocupa com um caso fechado e encerrado, o seu grande triunfo como Tenente.

No entanto, o pior momento da série consegue ser a covarde, por parte dos roteiristas, paixão de Debra pelo seu irmão. Além do clichê frequente e irritante de amor proibido e impossível, os roteiristas da série não conseguiram ver que um dos marcos da personagem era o amor fraternal e tiveram que apelar para um desejo incestuoso para conseguir explicar porque a nova e irritante Debra não se revolta contra o segredo de seu irmão e acabe com a série, too late.

O encerramento do oitavo episódio, além das pequenas cenas soltas em outros, mostra que os roteiristas e diretores prosseguem com a ideia da paixão platônico-incestuosa-fraternal. No sexto capítulo, por um exemplo, quando Dexter sugere que ela deve sair e encontrar outros homens ela simplesmente o manda embora, em uma crise de ciúmes.

Depois de tudo resta perguntar onde está o Dexter que dizia: “Tonight's the night. And it's going to happen again and again. It has to happen.” ?
Entendo que está perdido entre a primeira cena do nosso seriado e a morte de Rita. Quando não precisava de motivos para matar, apenas para não matar. O motivo do it has to happen era apenas o prazer, nada de aliviar estresse, recuperar-se do luto ou vingar a morte de alguém, o motivo era apenas matar...
Ainda assisto e recomendo Dexter pelos lapsos da boa série que foi, personagens como Isaac Sirko e seus diálogos com Dexter, os simbolismos soltos, as ironias cômicas e pela curiosidade. No entanto, se tivesse que responder para alguém: quando Dexter acaba?

Diria, sem hesitar, com um bebê coberto pelo sangue de sua mãe. 


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