Antes de uma deliciosa prova, enquanto estudava assistia à segunda
temporada de Dexter, Bay Harbor Butcher. O Dexter tendo que agir e tomar
iniciativas para resolver seus problemas, sem que eles... simplesmente
desaparecessem.
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Haja vista Lila que tentou desaparecer, e bem... o resto vocês já sabem.
Desde a última temporada (6ª) algo tem sido frequente em
Dexter a falta de nexo causal e lógico.
Os problemas aparecem e desaparecem com uma facilidade incrível, sem que
o nosso protagonista nem saiba ou explique como resolveu. Vamos aos exemplos,
ao laboratório: a tela.
Na terceira temporada, quando Dexter, que esta algemado tem
que se livrar cortar algumas carótidas e correr pro casamento. Eles se joga,
quebra o próprio dedo e se livra da algema.
Na sexta temporada, Dexter encontra-se em uma situação
também difícil, amarrado em um barco pronto para explodir, o protagonista
espera a explosão para reaparecer há alguns metros, com as mãos livres.
Outra comparação é a dificuldade que Dexter tinha de se
livrar das armadilhas montadas pelos seus inimigos, a última tentativa de
execução ele sobrevive porque vai pegar as chaves que acidentalmente caem no
chão.
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| Cagada do personagem ou dos roteiristas? Você decide! |
Talvez isso faça o Dexter ter aquela
reação diante de sua irmã e tenente e paixão e cúmplice.
Não bastando as resoluções
Deus Ex Machina, a série parece investir tempo demais em tramas e
personagens que não rendem absolutamente NADA.
Nas últimas duas temporadas
tivemos a aprendiz do Masuka.

Uma garota completamente descartável, sua função
poderia ter sido desempenhada por qualquer um.
No entanto, o pior é O aprendiz
do Masuka, o sujeito aparece, aproxima-se do Dexter, revive um drama passado do
protagonista, congela os cartões do mesmo, conhece o Dark Passenger e o
desrespeita... para simplesmente MORRER (!?).
É incrível como as personagens vão se perdendo, as características que os fazem
ser quem são desaparecem abruptamente, sem gradatividade, marca de evoluções
intimistas em séries de qualidade, as personagens tornam-se incógnitas.
Não tenho nada contra a evolução de um personagem, não me
interpretem mal, tanto que não teria problemas com o movimento atual da série
se fosse isso que ocorresse. Em um passado distante ocorreu, quando Dexter
começa a se preocupar com seus filhos e a segurança deles, o processo é
gradativo e muito bem desenhado.
Cena que demonstra perfeitamente a recente falta de
personalidade das personagens é quando nosso querido
psycho (fa! Fa! Fa! Fa!)
vai matar Hannah McKay e acaba cedendo ao seu desejo sexual.
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| ~RAWR~ |
Dexter mata por
prazer e necessidade, esse é o plot da série. Ao invés disso o complexo
personagem é reduzido a um homem com tesão por belas pernas. Abre mão de saciar
o seu maior desejo em uma vítima perfeita ao seu código.
Como já foi trabalhado na série, a necessidade do
protagonista de matar é análoga a uma dependência química, peguemos um viciado em
crack ou heroína em um momento de necessidade, após uma pequena abstenção, e
ofereça: SEXO com a Scarlett Johansson ou uma pedra. Se o cara não for
ninfomaníaco e dependente químico a escolha é óbvia.
Bem, parece que para os novos roteiristas de Dexter não!
Outra personagem que perdeu sua característica primária, sem
qualquer explicação, é a Cpt. Laguerta, uma mulher marcada pela ambição e pelo
desejo de se superar como minoria, sempre se preocupou apenas com o jogo de
poder, agora se preocupa com um caso fechado e encerrado, o seu grande triunfo
como Tenente.
No entanto, o pior momento da série consegue ser a covarde,
por parte dos roteiristas, paixão de Debra pelo seu irmão. Além do clichê frequente
e irritante de amor proibido e impossível, os roteiristas da série não
conseguiram ver que um dos marcos da personagem era o amor fraternal e tiveram
que apelar para um desejo incestuoso para conseguir explicar porque a nova e irritante Debra não se revolta contra o segredo de seu irmão e acabe com a série, too late.
O encerramento do oitavo episódio, além das pequenas cenas
soltas em outros, mostra que os roteiristas e diretores prosseguem com a ideia
da paixão platônico-incestuosa-fraternal. No sexto capítulo, por um exemplo,
quando Dexter sugere que ela deve sair e encontrar outros homens ela
simplesmente o manda embora, em uma crise de ciúmes.
Depois de tudo resta perguntar onde está o Dexter que dizia:
“Tonight's the night. And it's
going to happen again and again. It has to happen.” ?
Entendo que está perdido entre a primeira cena do nosso
seriado e a morte de Rita. Quando não precisava de motivos para matar, apenas
para não matar. O motivo do it has to happen era apenas o prazer, nada de
aliviar estresse, recuperar-se do luto ou vingar a morte de alguém, o motivo
era apenas matar...
Ainda assisto e recomendo Dexter pelos lapsos da boa série que foi,
personagens como Isaac Sirko e seus diálogos com Dexter, os simbolismos soltos,
as ironias cômicas e pela curiosidade. No entanto, se tivesse que responder para
alguém: quando Dexter acaba?
Diria, sem hesitar, com um bebê coberto pelo sangue
de sua mãe.