Dia desses, olhei pra eles e os vi felizes! E nem era sexta-feira com happy hour. Era meio de semana mesmo, depois do expediente. Ainda assim, beijaram-se apaixonados.
Ela não tem 1,70 m, cabelos compridos e nem olhos verdes. Ele não tem 1,80 m, não é bronzeado e nem frequenta academia. Não, eles não têm o padrão Reymond – Massafera, mesmo assim, quando os vejo, enxergo galã e mocinha, protagonistas de uma história bonita.
Ele fala dela com orgulho: sempre destacando seus feitos profissionais, competência e inteligência. Ela fala dele com jeito descontraído: rindo de suas manias e organização exagerada.
Quando o bebê chegou, suponho que a experiência os uniu ainda mais. Ela protege o menino do mundo. Ele o leva para passear com tanta tranquilidade, que é capaz de dividir o momento com a leitura de livros. Deve ser ela que vai puxar orelha e cobrar as tarefas da escola. Ele será o que cede uns minutinhos a mais de desenho animado.
Novamente dia desses, eu os vi felizes, falavam sobre estilo de vida. Ela prefere a cidade, ele o campo. Eis uma divergência, como deve haver outras. Talvez o cartão de crédito estourado já tenha sido motivo de briga. Aposto também que ele, displicente, já foi com a camisa do Vasco para alguma ocasião formal. Não acredito em conto de fadas, mas, penso que a vida dos dois é o que acontece depois que a gente fecha o livro.
Daqui de fora, imagino se um esbarrão, viagem ou virada de esquina vai me presentear com o mesmo destino. Eles nem sabem, mas, quando se encontram apaixonados depois do exaustivo expediente, me fazem pensar que o amor é uma questão de sorte.












