Confesso que o borrão que vi no espelho não era mais o meu rosto desde aquele dia vinte e três de abril. Eu sei que foi às nove e quarenta e seis que você bateu a porta com um estrondo, porque foi nesse exato momento em que meu relógio - assim como meu coração - parou de funcionar. E o tempo realmente parou a partir daí. Foram dias sem saber se era um daqueles pesadelos, se era um universo paralelo ou se a minha lucidez estava sendo colocada em xeque.
domingo, 9 de junho de 2013
Curvas e vapor
Eu desejei mil vezes ver o contorno das suas curvas pelo box, e observar seus movimentos lentos e putamente sexy envoltos pelo vapor. Era de delirar, era de explodir. Não sou daqueles caras normais que se apaixonam por traços, eu sou daqueles que gostam dos movimentos. E os movimentos das suas partes baixas, Deus que me perdoe, eram divinos. Só de olhar já estava satisfeito, mas tê-los sobre mim foi o ápice da minha breve existência.
Aquilo que era vida! Eu podia escrever um livro, passar um ano inteiro ou até mesmo te observar para o resto da vida enquanto se banhava daquele jeito despretensioso, daquele jeito ainda assim intencional. Ah, se eu soubesse se você era selvagem com ou sem intenção. Ah, se eu pudesse mais uma vez adentrar o banheiro e demonstrar com a minha firmeza o quanto poderia te apreciar naquela situação pelo resto da vida... e depois, cama! Para se banhar três vezes mais no mesmo dia, porque eu voltaria a fazer lambança com seu corpo.
Nêga, volta a enroscar esses cachos no meu pescoço, volta pra roubar minha coberta a noite e pra me deixar sonhar acordado nessas noites frias que nunca vão ter fim sem seu abraço para me aquecer.
Rouba a cena, rouba a casa, meu juízo e traz contigo minha sanidade que levou nessa sua mala cheia de adesivos com motivos de protesto.
As boas notícias não estão chegando pelo correio, nem pela fumaça do box vazio e sem curvas apetitosas.
Ah, minha morena. Traz de volta essa vontade de viver, me devolve meu sorriso. Só não vai dessa vez pra nunca mais voltar.






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