Engraçado esse seu jeito de me chamar atenção pra vida, roçando o queixo no meu ombro enquanto eu finjo dormir. Não gosto de compartilhar meu sono com nenhum homem e já te contei meus motivos. Essa aproximação que você tenta criar não vai dar muito certo. Você devia perceber que eu já não estava tão presente quando você abriu a porta com esse sorriso típico de quando me vê.
Eu sei, eu fui tudo que você quis naquele tempo em que fazia sentido. O vento me levou para os seus braços mais uma vez, chovi por dentro implorando para que fosse a última. E seria, se não fosse tão viciante estar nesses seus lençóis que estampam muito da nossa história.
Não fala nada não. Só fica quieto e deixa o tempo correr. Nossos corpos vão dar conta do recado, não é preciso palavras, frases e monólogos para consumar o ato. Eu queria me mover melhor quando não estou com você por perto.
Fui lá pra varanda e fiquei olhando as estrelas enquanto você se revirava em um sono agitado e me procurava instintivamente com os braços, pernas e coração. Eu ria, enquanto seu cheiro naquela camisa invadia os meus poros e tomava conta de mim. É muito bom estar com você, mas sair após uma hora e meia seria o ideal pra nós dois. Apesar de forte, o vento não levou meus receios pra longe dali.
É que quando você dorme, eu fico acordada encarando a escuridão e procurando uma maneira de sair ilesa do seu caminho. É que até virar a página causa um ruído ensurdecedor quando tento me desvincular de algo assim.









